terça-feira, 18 de agosto de 2026

Insanidade

 





Insanidade

O louco aroma

da insanidade

Me entorpece

todos os dias.

 

Me faz viajar.

Me faz delirar.

 

Navegar por mundos

que não são meus

Delírios de um bêbado

que só faz querer se destruir.

E acabar com os sonhos

do menino que fui...

 

Marcelo Etcheverria.

 


Minha loucura...

 








Minha loucura...

Recluso dentro de mim mesmo.

Mergulhado

a esmo

num turbilhão de emoções.

 

Quem sou eu mesmo?

Um recolhido

entre acolhidos?

Ou um doido

com o coração ferido.

 

Tenho mais perguntas

do que respostas.

Carrego na minha mochila

um sem fio de apostas.

 

Já bebi toda a minha

cota do poço da loucura

E vomitei o líquido negro do desespero.

Dionísio, Deus da loucura,

olha para mim

com a ternura e a

piedade de quem reconhece um seguidor...

 

Não quero mais a dor.

Desejo o ardor do amor...

 

Marcelo Etcheverria.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Transição...

 







Transição...

De recaída

em recaída

fui parar

no estige.

O rio dos mortos.

 

Cercado por demônios.

Espíritos obsessores.

E também por heróis.

Eles também bebem.

E se afogam.

Talvez para aplacar

a dor

de saber o seu destino.

E eu me afogando

na água lamacenta

 afogando

para renascer.

 

Da placenta escura

que me envolve

voltarei.

Agoniado, como me é comum.

Mas vivo

para viver mais

Um mundo.

 

                                               Marcelo Etcheverria.


Acolhido II...

 


Acolhido II...

Confinado dentro de mim.

Sinto a dor dos acolhidos.

Recolhidos em busca

da redenção.

 

Muitas vezes

corro atrás de sombras.

Desvios que podem

ser uma ilusão.

 

Muitos caminhos a percorrer.

Temer não é uma opção.

Recair é um temor.

 

Muitas pedras no caminho.

Lembrando o que fiz.

Sim.

Eu fiz.

Bebi.

Me fartei

 no poço da ilusão.

 

                                               Marcelo Etcheverria.


Saudades...

 



Saudades...

Há quanto tempo

não mergulho no teu

Corpo

 

Para sentir a

maciez dos teus seios.

Sentir fluir na

minha boca

os veios

da tua intimidade

 

A verdade é que

não mereço.

Mas não esqueço

do preço que isso

está

me

custando...

                  Marcelo Etcheverria.


Espelho.

 



Espelho.

De tanto cair

acabei

Por atravessar o espelho.

Vi o reverso do

verso.

Ou seria o verso do

reverso?

Só entende quem

já viu o mundo

tendo uma garrafa de

bebida como binóculo.

Óculos de bêbado.

Visão da loucura.

De um mundo

que já não é

meu

Deu...

 

                Marcelo Etcheverria.


Acolhido.

 



Acolhido.

Entrei desejando

sair.

Fiquei querendo

partir.

A mudança

essa deusa

Mundana

e insana

chegou.

Trouxe muita

dor.

E uma azia

forte no peito

que batia fraco,

quase morto.

Relutei.

Gritei.

Chorei.

Mudei.

 

Marcelo Etcheverria.