quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Sobre a inteligência artificial.

 


Sobre a inteligência artificial.

Marcelo Etcheverria

Mestre em História pela UFRGS

            A revolução causada pela inteligência artificial está atingindo todos nós. Mesmo os que não querem ou desejam ter acesso a ela. Isso é bom ou ruim?

            Não sou lá muito bom em usar a IA e ela entrou no meu mundo lá pelos anos 2024. Principalmente quando estava com pressa para ter acesso a alguma informação e não tinha a minha biblioteca por perto. O que dizer? É uma ferramenta incrível. Contudo, ela não pode ser usada como ponto de partida. O usuário tem que ter uma boa base de conhecimento para fazer uso da IA. Digo isso porque sempre é preciso ser crítico em relação à informação que se recebe e para ser crítico é preciso ter estudo. Um exemplo: a IA vai ajudar muito os historiadores, mas não vai formar historiadores, nem médicos, jornalistas, seja lá o que for.

            Nos últimos dias tenho brincado muito com a IA. Dei vazão a minha imaginação e me coloquei em vários momentos históricos nos quais sempre quis estar: Revolução Francesa, Dia D, Renascimento, Semana de Arte Moderna. Até punk na Inglaterra dos anos 1960 eu fui. Foi muito divertida e curiosa a brincadeira. E é impressionante o realismo com que a IA constrói os cenários. Sadia brincadeira.

            Mas como tudo que é humano e a IA é humana (foi criada por nós) tudo tem o seu “Q” de maldade. Fiquei sabendo que “seres humanos” usaram a IA para fazer filmes e fotos pornográficas com meninas da cidade. Uma crueldade. O fato pode ser analisado sob vários aspectos. O principal é que, apesar de toda a evolução, a mulher continua sendo visto como um objeto que se pode manipular a seu bel prazer. Mostra o quanto a nossa sociedade é conservadora e continua educando os nossos meninos a verem as mulheres como meros objetos de prazer. Afinal, os tais caras poderiam ter pegado as imagens e criado cenas de trabalho, de diversão (o que já seria errado), mas não, partiram direto para a objetificação da mulher.

            O que fazer? Em relação aos infratores, o mínimo é a punição rigorosa. Eles sabiam muito bem o que estava sendo feito. E isso que nem falei em quem consumiu o que eles fizeram. Punição também! Mas a questão não se resume a punição. A IA é um espelho que mostra o que é a humanidade hoje e infelizmente o que se vê é machismo, homofobia, racismo. A IA só está mostrando que o inferno é aqui e cabe a nós humanos transformar essa triste realidade.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Amarras...

 


Amarras...

Me libertei

das correntes que prendiam

o meu ser.

Antes e tem sempre o antes...

Era o beber...

Bebia até enlouquecer.

Até a garganta arder

e exalar o amargo cheiro da vodca.

Do Whisky.

Da cerveja.

A cereja do bolo

era a loucura,

a insanidade,

o desvario,

os rios de vômitos

no sanitário que encontrasse pela frente.

Meu sanatório era os banheiros da vida.

A bebida escondida.

O disfarce nas balas de menta.

As mentiras que escondiam a ira

que sentia de mim.

 

            Marcelo Etcheverria.

 


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Tempo.

 


Tempo

Tempo ao tempo

ela me diz.

Tudo muito lento

penso eu.

Tenho muitas coisas

na vida.

Menos tempo.

Meu medo é que quando chegar o tempo,

já não mais esteja

vivo

eu

aqui.

 

            Marcelo Etcheverria.


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Insanidade

 





Insanidade

O louco aroma

da insanidade

Me entorpece

todos os dias.

 

Me faz viajar.

Me faz delirar.

 

Navegar por mundos

que não são meus

Delírios de um bêbado

que só faz querer se destruir.

E acabar com os sonhos

do menino que fui...

 

Marcelo Etcheverria.

 


Minha loucura...

 








Minha loucura...

Recluso dentro de mim mesmo.

Mergulhado

a esmo

num turbilhão de emoções.

 

Quem sou eu mesmo?

Um recolhido

entre acolhidos?

Ou um doido

com o coração ferido.

 

Tenho mais perguntas

do que respostas.

Carrego na minha mochila

um sem fio de apostas.

 

Já bebi toda a minha

cota do poço da loucura

E vomitei o líquido negro do desespero.

Dionísio, Deus da loucura,

olha para mim

com a ternura e a

piedade de quem reconhece um seguidor...

 

Não quero mais a dor.

Desejo o ardor do amor...

 

Marcelo Etcheverria.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Transição...

 







Transição...

De recaída

em recaída

fui parar

no estige.

O rio dos mortos.

 

Cercado por demônios.

Espíritos obsessores.

E também por heróis.

Eles também bebem.

E se afogam.

Talvez para aplacar

a dor

de saber o seu destino.

E eu me afogando

na água lamacenta

 afogando

para renascer.

 

Da placenta escura

que me envolve

voltarei.

Agoniado, como me é comum.

Mas vivo

para viver mais

Um mundo.

 

                                               Marcelo Etcheverria.


Acolhido II...

 


Acolhido II...

Confinado dentro de mim.

Sinto a dor dos acolhidos.

Recolhidos em busca

da redenção.

 

Muitas vezes

corro atrás de sombras.

Desvios que podem

ser uma ilusão.

 

Muitos caminhos a percorrer.

Temer não é uma opção.

Recair é um temor.

 

Muitas pedras no caminho.

Lembrando o que fiz.

Sim.

Eu fiz.

Bebi.

Me fartei

 no poço da ilusão.

 

                                               Marcelo Etcheverria.