segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Transição...

 







Transição...

De recaída

em recaída

fui parar

no estige.

O rio dos mortos.

 

Cercado por demônios.

Espíritos obsessores.

E também por heróis.

Eles também bebem.

E se afogam.

Talvez para aplacar

a dor

de saber o seu destino.

E eu me afogando

na água lamacenta

 afogando

para renascer.

 

Da placenta escura

que me envolve

voltarei.

Agoniado, como me é comum.

Mas vivo

para viver mais

Um mundo.

 

                                               Marcelo Etcheverria.


Acolhido II...

 


Acolhido II...

Confinado dentro de mim.

Sinto a dor dos acolhidos.

Recolhidos em busca

da redenção.

 

Muitas vezes

corro atrás de sombras.

Desvios que podem

ser uma ilusão.

 

Muitos caminhos a percorrer.

Temer não é uma opção.

Recair é um temor.

 

Muitas pedras no caminho.

Lembrando o que fiz.

Sim.

Eu fiz.

Bebi.

Me fartei

 no poço da ilusão.

 

                                               Marcelo Etcheverria.


Saudades...

 



Saudades...

Há quanto tempo

não mergulho no teu

Corpo

 

Para sentir a

maciez dos teus seios.

Sentir fluir na

minha boca

os veios

da tua intimidade

 

A verdade é que

não mereço.

Mas não esqueço

do preço que isso

está

me

custando...

                  Marcelo Etcheverria.


Espelho.

 



Espelho.

De tanto cair

acabei

Por atravessar o espelho.

Vi o reverso do

verso.

Ou seria o verso do

reverso?

Só entende quem

já viu o mundo

tendo uma garrafa de

bebida como binóculo.

Óculos de bêbado.

Visão da loucura.

De um mundo

que já não é

meu

Deu...

 

                Marcelo Etcheverria.


Acolhido.

 



Acolhido.

Entrei desejando

sair.

Fiquei querendo

partir.

A mudança

essa deusa

Mundana

e insana

chegou.

Trouxe muita

dor.

E uma azia

forte no peito

que batia fraco,

quase morto.

Relutei.

Gritei.

Chorei.

Mudei.

 

Marcelo Etcheverria.


Transição...

 



Transição...

De recaída

em recaída

fui parar

no estige.

O rio dos mortos.

 

Cercado por demônios.

Espíritos obsessores.

E também por heróis.

Eles também bebem.

E se afogam.

Talvez para aplacar

a dor

de saber o seu destino.

E eu me afogando

na água lamacenta

 afogando

para renascer.

 

Da placenta escura

que me envolve

voltarei.

Agoniado, como me é comum.

Mas vivo

para viver mais

Um mundo.

 

                                               Marcelo Etcheverria.

 


Sobre a sobriedade...

 



Sobre a sobriedade...

 

Nem tudo que eu desejo,

eu posso.

Nem tudo que eu posso,

eu desejo.

É no meio dessa linha

que se encontra a sobriedade.

 

Marcelo Etcheverria.